Fasubra Sindical

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Funcionalismo federal se unifica para enfrentar o pacote de maldades de Temer

 

Entre as várias ações, a grande atividade será a caravana nacional a Brasília-DF no dia 28 de novembro.

 

Nesta terça-feira, 07, os representantes do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) e o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) se reuniram na sede da Fenajufe, em Brasília-DF. Na ocasião, as entidades nacionais acordaram um calendário de lutas unificado e uma série iniciativas comuns, para enfrentar o pacote de maldades de Michel Temer.

 

Na análise de conjuntura se destacou a indignação dos servidores públicos federais e a disposição em construir o enfrentamento. O governo Temer quer impor mais sacrifícios para o funcionalismo e para todo o conjunto da classe trabalhadora, atendendo os interesses dos bancos e dos grandes empresários.

  

A defesa dos serviços públicos de qualidade para toda população e a valorização dos servidores públicos federais é o centro das mobilizações do mês de novembro. Entre as várias ações, a grande atividade será a caravana nacional a Brasília-DF no dia 28 de novembro.

 

Confira abaixo o relatório da reunião:

RELATÓRIO REUNIÃO FONASEFE – FONACATE.

07/11/2017 na sede da Fenajufe em Brasília.

 

Presentes: ANDES-SN,ASSIBGE,ANFFAsindical,ASFOC-SN, ASEMPT, ANESP, AFIPEA, CONDSEF, FASUBRA, FENAJUFE, FENASPS, SINDRECEITA ,SINAL ,SINAIT ,SINASEFE ,SINASEMPU , UNACON sindical.

Centrais presentes: CTB, CSP Conlutas, Pública.

 

Pauta:

1.  INFORMES

Informes do FONASEFE e FONACATE.

Informes das entidades presentes.

 

2. CONJUNTURA E CALENDÁRIO DE LUTAS.

 

Após um amplo debate e várias propostas das representações das entidades presentes na reunião, os principais encaminhamentos foram:

 

Calendário de lutas:

10/11 ( Sexta feira) – Dia nacional de paralisações, manifestações e protestos contra a reforma trabalhista e todos os ataques do governo Temer contra os trabalhadores.  A reunião orienta as entidades a fortalecerem os atos que vão ocorrer nos estados. Em Brasília haverá manifestações pela manhã no espaço do servidor na esplanada dos ministérios e ao final da tarde na rodoviária.

 

20/11 ( Segunda-Feira) – Audiência Pública na CDH – Senado Federal as 14:30.  Essa audiência pública vai debater no senado federal a defesa dos serviços públicos e o pacote de maldades do governo Temer contra o funcionalismo.

 

21/11 ( Terça-Feira)  - Audiência Pública organizada pela ANDIFES na câmara dos deputados para discutir a crise das universidades públicas.

 

27/11 ( Segunda Feira)  - Tema: “Qual serviço público que queremos?”  Auditório Nereu Ramos na câmara dos deputados às 14h. Organização: FONACATE.

 

28/11( Terça Feira)  - Caravana nacional do funcionalismo a Brasília com manifestações na esplanada dos ministérios.

 

29/11 ( Quarta Feira) – Ato público no judiciário para anunciar ação jurídica contra a MP 805.

 

 

OUTRAS INICIATIVAS:

- Ofício solicitando audiência com o presidente da Câmara e Senado. Como também solicitar audiência com a liderança do governo e da oposição na câmara e no senado.

 

- Reunião das assessorias jurídicas das entidades do FONASEFE e FONACATE no dia 14/11 na sede do SINAIT em Brasília.  Tema: Ação contra a MP 805.

 

- Publicar uma nota pública das entidades do FONASEFE e FONACATE convocando a luta contra o pacote de maldades de Temer que atinge o funcionalismo e os serviços públicos.

 

 

Pauta de reivindicações acordados entre as entidades presentes:

- Em defesa dos serviços públicos de qualidade para a população.

 

- Revogação e retirada de todas as MPs e PLs que atacam o funcionalismo.

Ex: MPs 805 e 792/ 2017.  PL 116/2017.

 

- Não a reestruturação das carreiras do funcionalismo! Nenhum direito a menos!

 

- Não a reforma da previdência!

 

- Revogação da EC 95, Não a reforma do ensino, Não a reforma trabalhista, pelo fim das terceirizações.

 

- Contra as privatizações, não a entrega do patrimônio público!

 

- Abaixo o ajuste fiscal contra os trabalhadores / Que os bancos e as grandes fortunas paguem pela crise!

 

 

-Nenhum direito a menos!

 

 

 

 Próxima reunião:  Dia 16/11 às 14 h. Local: Condsef em Brasília.

 

Direção Nacional FASUBRA Sindical

 

Confira a movimentação dos principais assuntos sobre o funcionalismo público

 

Parlamentares da oposição afirmam que o governo não vai conseguir os 308 votos necessários para aprovação da reforma da previdência em tão pouco tempo.

 

O ilegítimo presidente Michel Temer mudou de estratégia nos “45 minutos do segundo tempo”, na tentativa de aprovar pelo menos o aumento da idade na Reforma da Previdência (65 anos para homens e 62 anos para mulheres).  As outras propostas ficariam para a próxima gestão. Parlamentares da oposição afirmam que o governo não vai conseguir os 308 votos necessários para aprovação em tão pouco tempo. Já a base aliada critica a proposta tardia de Temer, anunciada a poucos dias do fim de 2017.

 

PDV

Enquanto isso, a medida provisória (MP 792/17) que prevê o Programa de Demissão Voluntária (PDV), redução de jornada e salário e a licença não remunerada para servidores públicos federais, foi aprovada em comissão mista da Câmara dos Deputados. A justificativa do governo de reduzir as despesas com a folha de pagamento, na realidade, vai causar um aumento de despesas nas contas, dependendo da quantidade de servidores que aderirem ao PDV. O texto segue para o Plenário.

 

MP 805/17

A MP 805/17 que aumenta a contribuição previdenciária dos servidores públicos de 11% para 14% e congela reajustes, recebeu 255 emendas. A comissão mista que vai analisar o texto ainda não está formada. Parlamentares não querem assumir a responsabilidade de relatar uma medida impopular (DIAP).

 

Negociação coletiva no serviço público

O Projeto de Lei 3.6831/15 que regulamenta a negociação coletiva no serviço público foi encaminhado à sanção presidencial. A mesa diretora da Câmara dos Deputados recusou a retirada do recurso contrário ao caráter terminativo do projeto e o pedido de análise do texto pelo plenário da Casa.

 

13º salário

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) anunciou na terça-feira, 07, o pagamento da segunda parcela do 13º salário aos servidores da União, no mês de novembro.

 

Greve  da FASUBRA

Dia 10 de novembro começa a greve nacional da FASUBRA Sindical. Também será o Dia Nacional de Lutas dos Servidores Públicos Federais para Parar o Brasil, com mobilização de diversas categorias, em defesa do serviço público. Na mesma data, o Movimento Brasil Metalúrgico mobiliza as categorias da indústria em resistência a reforma trabalhista, que entra em vigor no dia 11 de novembro e contra a perda de direitos.

 

Com informações: O DIA, Agência Câmara de Notícias e DIAP

 

Assessoria de Comunicação FASUBRA Sindical

 

Orientações gerais para a Greve da FASUBRA

 

 

Em defesa da Carreira, da universidade pública e dos serviços públicos em geral.

 

Análise e Caracterização

A greve da FASUBRA Sindical marcada para o dia 10 de novembro, acontece em um contexto de crise política, econômica e social no país e demanda o fortalecimento da resistência do conjunto da Categoria, na luta contra a retirada de direitos.

 

O congresso nacional, após salvar o mandato do senador Aécio Neves, rejeitou o pedido, feito pela Procuradoria Geral da República (PGR), de investigação do presidente da república pela segunda vez. Temer escapou do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da PGR, com a ajuda do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas precisamos destacar, que nesse momento, embora Temer e aliados tenham se livrado de pesadas denúncias de corrupção, todo o processo trouxe muito desgaste ao governo e a base aliada diante da opinião pública.

 

Medidas impopulares

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia chegou a fazer um apelo público para que Temer não abusasse da edição de medidas provisórias, pois a base do governo está reticente e não quer mais se expor apoiando medidas impopulares. Maia e vários aliados assumiram um imenso desgaste político, salvando Temer por duas vezes. A insatisfação popular se traduz no maior índice de rejeição a um presidente na história desse país, 85% (DataFolha), e apenas 3% de aprovação.

 

Desgaste

A base governista no congresso nacional, com a proximidade das eleições, não quer continuar com o desgaste com seu eleitorado, bancando medidas impopulares. O governo ciente desses movimentos, amplia contrapartidas em formas de emendas parlamentares e outras vantagens fisiológicas para compensar o desgaste, mas não contém a sanha desse setor. A grande reclamação é que Temer não tem cumprido todos os acordos, que diz que não é fácil para o governo no marco de uma crise econômica “atender a todos”.

 

O desgaste entre o Executivo e o Legislativo pode se estancar, mas todo esse processo leva tempo e hoje  o governo não tem condições de aprovar com facilidade mais medidas impopulares. Nesse marco o governo está sendo muito cuidadoso com suas movimentações, pois sabe que se errar a mão, poderá precipitar um movimento mais forte contra o governo, que se encontra em dificuldades com a sua base aliada para aprovar o pacote de maldades contra o funcionalismo.

 

Greve

A última Plenária Nacional da Federação, aprovou a construção da greve da Fasubra, apontando a deflagração para o dia 10 de novembro, data que também será o Dia Nacional de Lutas. A FASUBRA já previa que o governo Temer editaria medidas provisórias, que teriam o objetivo de aumentar a contribuição previdenciária, adiar reajustes e reestruturar (desmonte) carreiras.

 

Todas essas medidas foram anunciadas pelo Ministro do Planejamento em mais de uma oportunidade, veiculada pela grande mídia nacional há meses atrás. É importante entender o movimento do governo, recuando no envio dos “ajustes” nas carreiras na MP 805/2017. Por que o governo optou por enviar somente parte do pacote por medidas provisórias e a reestruturação das carreiras não saiu do papel até agora?

 

 

Alguns elementos importantes respondem essa pergunta:

 

1. O apelo público do presidente da Câmara para não pegar pesado na edição de medidas provisórias, pois hoje não há certeza que a base aliada será fiel, pelos motivos que já explicamos acima.

 

2. A reestruturação das carreiras não estaria obrigada a entrar no orçamento de 2018 – não contribuindo com a diminuição das “despesas” com funcionalismo -  e por isso não precisaria ser editada até o dia 31 de outubro. As outras medidas sim, em particular o aumento da receita com a ampliação do desconto da previdência para 14%.

 

3. Caso o governo tivesse enviado a reestruturação das carreiras de várias entidades do funcionalismo por medida provisória essa semana, poderia provocar um levante do servidores públicos num momento onde o governo se encontra frágil na relação com sua base aliada. O anúncio de greve da Fasubra protocolado na semana passada no Ministério da Educação, sinalizou ao governo que haverá enfrentamento caso a carreira fosse atacada!

 

A decisão da Plenária Nacional da FASUBRA em deflagrar a greve no dia 10 de novembro, foi uma decisão acertada e contribuiu, entre outros fatores, a forçar o governo a recuar o ataque ao Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE) de imediato. Ou seja, o governo não conseguiu aplicar todo o pacote de imediato através de MPs, como divulgado na Imprensa, mas está esperando o melhor momento de atacar as carreiras do funcionalismo e colocar em votação a Reforma da Previdência num formato mais direcionado ao funcionalismo. Isso significa que precisamos dar uma resposta que expressa força e capacidade de enfrentamento, e o ideal  seria que o funcionalismo e não só a Fasubra assumisse essa tarefa.

 

 

 

O FONASEFE e a necessidade de organizar a resistência

 

A última reunião do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) realizada no dia primeiro de novembro, embora tenha tomado deliberações importantes, demonstrou pela maioria dos informes que não há clima para uma greve imediata unificada do funcionalismo.

 

Mas há ações comuns colocadas no horizonte como, construir ações no congresso nacional, articular forças com o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), ajuizar ações jurídicas contra a MP que aumenta a contribuição previdenciária e construir um calendário de lutas que aponte o dia 10 de novembro como um movimento Ocupa Brasília com manifestações na Esplanada dos Ministérios.

 

Na próxima terça-feira, 07 de novembro haverá uma importante reunião entre as entidades do Fonasefe e do Fonacate que irá discutir ações e encaminhamentos comuns.

 

Lutar

Pela gravidade da situação seria muito importante que nesse momento o conjunto do funcionalismo entrasse em greve, e têm razão todos aqueles que possuem receio sobre a greve da Fasubra nessas condições. Mas, tem momentos na história da luta da classe trabalhadora que não há muitas alternativas, e,  nessa conjuntura – para os trabalhadores – principal vítima da “crise” só resta Lutar. A greve da Fasubra nesse momento cumpre um papel de grande responsabilidade e essa Federação não pode se furtar do seu protagonismo histórico.

 

O governo está avaliando em como aprofundar nesse final de ano o ajuste fiscal de acordo com o seu próprio planejamento, e caso o funcionalismo não reagir, o governo percebendo essa fragilidade poderá avançar ainda mais contra a classe. Há uma forte pressão do mercado para que o governo cumpra a meta fiscal.

 

A arrecadação do governo não teve aumento significativo e a capacidade reduzida de investimentos obriga o governo a buscar todas as forças de ataques que possam impor mais sacrifícios ao funcionalismo, com o objetivo de atender os interesses do capital. Não é à toa que na mesma semana que o governo edita medidas contra o funcionalismo, adia o Programa de Recuperação Fiscal (REFIS)  aumentando o prazo para negociar e perdoar dívidas de megacorporações com a União.

 

A GREVE da FASUBRA é a certeza que teremos a possibilidade de fazer o funcionalismo se movimentar de alguma forma nesse mês de novembro e aumentar a pressão sobre o governo e principalmente sobre o congresso nacional. Ao mesmo tempo a categoria tem que entender que essa  Greve é diferenciada. A relação da classe com um governo antidemocrático, deve ser avaliada a cada dia, cientes da correlação de forças e dos limites impostos pela conjuntura e pelo contexto político, econômico e social que vivemos. A direção da FASUBRA tem essa compreensão e responsabilidade na condução do movimento.  

 

Encaminhamentos e orientações para a reta final de deflagração da greve:

O objetivo central da nossa greve é fortalecer a pressão sobre o governo para que recue definitivamente em não atacar nossa Carreira, e buscar aliados no Parlamento, independentemente  de partido, em defesa dessa conquista dos trabalhadores técnico-administrativos em educação.

 

Temos que evitar que os ataques à Carreira venham, em especial através de Medida Provisória que possui efeito imediato. Acreditamos ser possível abrir pela força do nosso movimento,  um canal de interlocução e negociação em relação a nossa pauta e o Termo de Acordo da Greve de 2015, de itens que o  governo não  teve uma postura democrática no sentido de dialogar com a FASUBRA.

 

Para orientar a construção de nossa greve, aproveitando ao máximo a mobilização de forma que possamos dar coesão ao nosso movimento, atingindo efetivamente nosso objetivo central propomos um roteiro de atividades para o mês de novembro:

 

Semana do dia 06 a 10 de novembro

Fortalecer a mobilização nessa reta final, com reuniões setoriais, fazendo boas assembleias que deflagrem a greve no dia 10 de novembro. TODAS AS ENTIDADES FILIADAS PRECISAM OBSERVAR TODOS OS PROCEDIMENTOS LEGAIS PARA A DEFLAGRAÇÃO DA GREVE. INFORMAR A DECISÃO OFICIAL DAS ASSEMBLEIAS SOBRE A GREVE NO SEGUINTE EMAIL: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

Semana do dia 13 a 17 de novembro

Ações, manifestações e pressão sobre os parlamentares nos aeroportos, em suas residências e escritório político.

A FASUBRA e o Comando Nacional de Greve (CNG) vai organizar em conjunto com outras entidades sindicais, ações no Aeroporto de Brasília e no congresso nacional com o mesmo objetivo.

 

Semana do dia 20 a 24 novembro

Indicativo de Caravana Nacional a Brasília-DF em conjunto com o funcionalismo, com manifestações que denunciem os ataques, exija a retirada das MPs, defenda nossa Carreira, os serviços públicos e que apresente a pauta do movimento. A data exata da caravana será acordada com outras entidades do funcionalismo e em breve iremos informar.

 

Dia 20 de novembro às 14h30 – Audiência Pública no Senado

“Em defesa dos serviços públicos, nenhum direito a menos. Contra o pacote de maldades do governo Temer”.

 

 

Dia 21 de novembro – Audiência Pública na Câmara dos Deputados organizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) sobre a crise das universidades públicas.

 

Semana do dia 27 a 30 de novembro

Rodada de Assembleias para avaliação do movimento.

 

Direção Nacional FASUBRA Sindical

 

CDH discute proposta de Estatuto do Trabalho

 

O objetivo é substituir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e apresentar como alternativa à reforma trabalhista o estatuto.

 

Na manhã de segunda-feira, 06, a FASUBRA Sindical participou da audiência pública sobre: “O Estatuto do Trabalho: Uma lei para todos”. Realizado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, parlamentares, autoridades, entidades sindicais e trabalhadores discutiram a construção do Estatuto do Trabalho, com o objetivo de substituir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e como alternativa à reforma trabalhista. Representaram a Federação os coordenadores Gibran Jordão e Eurídice Almeida.

 

Redução de direitos

 


 

Magda Barros Biavaschi, representante do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (CESIT/UNICAMP), apresentou o livro escrito a partir do dossiê que analisa aspectos econômicos da reforma trabalhista, que será lançado ainda neste mês. Para Magda, “não é reduzindo direitos sociais que vamos construir sociedades bem mais desenvolvidas economicamente”, se referindo aos exemplos de reformas que foram implementadas análogas à brasileira. “Destruíram não só as relações de trabalho, mas destruíram as possibilidades econômicas desses países a se desenvolver. E hoje estão sofrendo para tentar recuperar essa caminhada”, alertou Magda.

 

Foco no trabalhador

 


 

A desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, Silvana Abramo, trouxe reflexões vinculadas às construções coletivas, uma proposta no campo do direito material. “É necessário ter uma reafirmação dos direitos e principalmente uma intelecção de que o trabalhador é um sujeito de direitos e um sujeito completo, dentro ou fora do seu local de trabalho e jornada de trabalho”. Sílvia considerou que o estatuto deve trazer garantias constitucionais e convencionais. “Esse entendimento mais holístico do que é o trabalho, desloca o foco da CLT anterior à reforma, tem o seu foco no objeto trabalho e produção, e vê o trabalhador como um produtor de mão de obra”. Segundo a desembargadora, o trabalhador deve ser o foco, de acordo com os termos de direitos humanos, da Constituição Federal e das normas internacionais.

 

Desvalorização do trabalho

 


 

Kátia Arruda, ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) apontou a permanência da cultura escravocrata na técnica de exploração do trabalho no país.  “No Brasil parece persistir uma cristalização da desvalorização do trabalho”, afirmou Kátia citando o autor Caio Prado Júnior, que descreve a formação do Brasil contemporâneo.

 

Para a ministra, a colonização escravocrata moldou um tipo de visão que não reconhece no trabalhador, alguém que mereça respeito e valorização. Segundo o IBGE (2010), apenas 16%  dos trabalhadores brasileiros tem ensino superior completo, 40% têm até o ensino fundamental. O nível salarial é baixo, 70% dos trabalhadores recebiam menos de dois salários mínimos, 90% ganham menos ou até cinco salários mínimos. “Esses dados mostram que nossos trabalhadores ganham pouco, ainda não foram inseridos adequadamente na sociedade, muitos são analfabetos ou têm baixa escolaridade, e tem uma jornada de trabalho alta”.

 

A jornada de trabalho é alta no Brasil, segundo dados da OIT, o país perde apenas para a Coreia do Norte.  “A tendência de países como França, Alemanha, Canadá e Dinamarca é reduzir a jornada de trabalho”, de acordo com a ministra o Brasil vai na contramão. O tema central da Constituição Federal é a valorização do trabalho e da livre iniciativa, segundo Kátia. “Queremos construir algo que venha a refletir esses dois fatores, construir algo que seja bom para todos”.

 

Direito material e processual

 


 

Noemia Aparecida Garcia Porto, vice-presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (ANAMATRA) relatou que a instituição tem sido alvo de ataques na grande mídia. “Querem constranger a magistratura para que ela não exerça seu papel de uma intérprete da constituição, uma intérprete compromissada com as convenções internacionais do trabalho e com o primado da democracia no Brasil”.

 

Apresentou partes do texto sobre avanços possíveis no campo do processo do trabalho, como campo especializado, com enfoque no fortalecimento do poder judiciário do trabalho, a magistratura do trabalho e do processo do trabalho como mecanismo de tradução das demandas dos trabalhadores. “A ANAMATRA contribuiu no Estatuto do Trabalho com a parte processual trabalhista. Uma das forças da CLT é colocar no mesmo texto tanto normas de direito material, quando normas de direito processual. No mesmo texto compilado conseguimos trabalhar normas de proteção no campo do trabalho para além do emprego para todos os trabalhadores”, afirmou Noemia.

 

 

Agora é greve

 


 

O coordenador geral da FASUBRA, Gibran Jordão, fez um chamado aos trabalhadores para o Dia Nacional de Luta no dia 10 de novembro. A iniciativa do movimento Brasil Metalúrgico teve adesão das categorias do funcionalismo público, movimentos sociais e estudantil, em protesto contra a reforma trabalhista e outros ataques contra a classe trabalhadora.

 

Gibran anunciou a deflagração da greve dos trabalhadores técnico-administrativos em educação das instituições de ensino superior públicas. “A greve tem como centro nossa carreira e em defesa dos serviços públicos, já que o governo Temer e o Congresso Nacional estão dispostos a aplicar o ajuste fiscal contra direitos democráticos e sociais. Medidas como o PDV, redução de jornada e salários e aumento da contribuição previdenciária, adiando reajustes já acordados”.  Na ocasião, o coordenador solicitou uma audiência pública sobre os ataques ao funcionalismo.

 

 

Desmonte

 


 

Eurídice Ferreira de Almeida, coordenadora da FASUBRA destacou o desmonte de políticas sociais e inclusivas pelo atual governo, principalmente a saúde e educação. “As universidades são o ponto crucial da política deste desgoverno que é o desmonte da sociedade brasileira, porque um povo sem educação é um povo cordato, e um povo cordato é fácil de manipular”.

 

Para a coordenadora, as universidades estão mais do que sucateadas, estão sendo destruídas literalmente. “O caso dos 130 trabalhadores terceirizados demitidos do Senado é uma constante nas universidades”, afirmou. Eurídice questionou para onde vão os estudantes que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). “Não há financiamento para sustentar a expansão feita sabiamente pelos governos Lula e Dilma, não há contratação de professores e de técnicos, os cargos daqueles que se aposentam não são repostos”.

 

Os hospitais universitários sob gestão de empresa pública de direito privado (Ebserh), segundo a coordenadora, acabou com o espaço de cuidado do ser humano, independente da sua situação financeira, de ter um atendimento de saúde qualificado. “O SUS, os hospitais universitários sempre fizeram os atendimentos de média e alta complexidade nesse país”, afirmou referindo à crise de gestão nos hospitais e a transformação de um direito constitucional em serviço, beneficiando financeiramente as empresas de redes hospitalares.

 

Sobre a deflagração da greve, a coordenadora afirmou que, “ a FASUBRA sempre foi protagonista, e mais uma vez vamos nos colocar como testa de ferro pra fazer o levante do movimento”. Para a coordenadora, todas as medidas do governo que afetam a população e o serviço público tem como objetivo adequar o país ao Acordo sobre Comércio de Serviços (TISA, sigla em inglês), que estabelece um novo grau de hegemonia e concentração de renda.

 

 

‘Chamamos os servidores para que venham para a luta porque nossos direitos estão sendo cerceados, tomados a mão grande. Vamos continuar lutando. FASUBRA livre, Brasil livre e o povo na rua”, finalizou Eurídice.

 

Fotos: Agência Senado

 

Assessoria de Comunicação FASUBRA Sindical

 

 

 

 

Nota de falecimento

 

Companheiro Albedi Andrade, presente!

 

A FASUBRA Sindical informa com pesar o falecimento do companheiro Albedi Andrade Cerqueira, 56 anos, técnico-administrativo em educação lotado na Universidade Federal de Mato Grosso (UFTM), neste domingo, 05.

 

Albedi foi coordenador de Políticas Raciais da FASUBRA Sindical e coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Mato Grosso (SINTUF-MT).

 


 

Também era coordenador regional do Seminário Segurança dos Institutos Públicos de Ensino Superior (IPES) e Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT).  Aposentado, o companheiro lutava contra o câncer, deixando filhos, esposa, parentes e amigos.

 

O sepultamento do corpo será realizado nesta segunda-feira, 06, às 08 horas no cemitério do Parque Cuiabá, em Cuiabá-MT.

A FASUBRA Sindical vem a público manifestar total solidariedade à família e amigos.

 

Assessoria de Comunicação FASUBRA Sindical