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Condução coercitiva de reitor da UFMG por Polícia Federal levanta questionamentos sobre abusos


 

 

Reincidência de caso semelhante ocorrido na UFSC acende um alerta na comunidade universitária contra arbitrariedades.

 

Na última quarta-feira, 06, o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), professor Jaime Arturo Ramirez, foi alvo de condução coercitiva em uma ação da Polícia Federal (PF). A operação batizada de “Esperança equilibrista” investiga suspeita de supostos desvios de recursos  no projeto Memorial da Anistia, inacabado por falta de verbas.

 

A atual vice-reitora da UFMG e reitora eleita da instituição, professora Sandra Regina Goulart Almeida,  e as ex-vice-reitoras Rocksane de Carvalho Norton e Heloisa Gurgel Starling, a servidora Técnico-Administrativa, Silvana Leal Coser, e o atual diretor da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP), professor Alfredo Gontijo, também foram levados para a Superintendência da PF. Todos foram conduzidos sem saber as razões da ação, sem qualquer conhecimento do processo e sem direito a advogados (somente posteriormente é que os advogados puderam acompanhar os detidos).

 

Em rápida ação de mobilização, técnico-administrativos em educação, professores e estudantes foram para a porta da PF acompanhar o processo e exigir transparência e respeito às leis na condução das supostas investigações.

 

Após liberação, o reitor Jaime Ramírez afirmou aos integrantes da comunidade universitária reunidos em frente ao prédio da Reitoria, que, “a UFMG nunca se curvou e nunca se curvará ao arbítrio. Vamos resistir sempre”.

 

Neide Dantas, coordenadora de Comunicação da FASUBRA Sindical e também coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino (SINDIFES) que representa trabalhadores da UFMG e de outras instituições mineiras, destacou que técnicos, docentes e estudantes devem se unir em defesa da universidade pública e gratuita, após a o fato ocorrido. “Não por acaso, o alvo da ação é o Memorial da Anistia, que aborda um tema, a ditadura, ainda tão difícil de tratar no Brasil". Segundo ela, as investigações devem seguir os princípios legais. “Os gestores poderiam ter sido chamados a depor sem o recurso da condução coercitiva”, completou.

 

Reincidência

A reincidência de caso semelhante acende um alerta na comunidade universitária contra arbitrariedades. No dia 03 de outubro deste ano, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, 60 anos, tirou a própria vida, após ser conduzido coercitivamente em uma operação da PF. “Decretei minha morte no dia da minha prisão”, desabafou o reitor no bilhete encontrado em seu bolso pela polícia.

 

O abuso em ações da Polícia Federal tem sido alvo de críticas e questionamentos de entidades da sociedade civil e parlamentares. Afastado das funções administrativas e acadêmicas por determinação judicial, Cancelier foi acusado por obstrução de justiça. Para a FASUBRA, as ações da polícia e justiça federal são foram consideradas desproporcionais diante dos fatos e da disponibilidade de colaboração do reitor e da administração no caso.

 

Andifes

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em nota criticou a ação da polícia, questionando a repetição do fato ocorrido há dois meses na UFSC. “É notória a ilegalidade da medida, que repete práticas de um Estado policial, como se passou com a prisão injustificada do Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, da Universidade Federal de Santa Catarina, há pouco mais de dois meses”.

 

Para a Andifes, “o desprezo pela lei e a intenção política de calar as Universidades, lócus do pensamento crítico e da promoção da cidadania, podem justificar a opção de conduzir coercitivamente, no lugar de simplesmente intimar para prestar as informações eventualmente necessárias. Ações espetaculosas, motivadas ideologicamente e nomeadas com ironia para demonstrar o desprezo por valores humanistas, não ajudam a combater a real corrupção do País, nem contribuem para a edificação de uma sociedade democrática”.

 

Hino da anistia

O nome da operação da PF, “Esperança equilibrista”, foi criticada por  João Bosco, autor do hino contra a ditadura, a canção "O bêbado e o equilibrista",em parceria com Aldir Blanc. "Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental", disse. O músico também defendeu a universidade pública, “espaço fundamental para a promoção de igualdades na sociedade brasileira".

 

Com informações: SINDIFES /Brasil 247

 

Assessoria de Comunicação FASUBRA Sindical