Fasubra Sindical

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Trabalhadoras técnico-administrativas em educação pela visibilidade lésbica

 

29 de agosto – Dia da Visibilidade da Mulher Lésbica.

 

No dia da Visibilidade da Mulher Lésbica, 29, a FASUBRA Sindical abriu espaço para ouvir as trabalhadoras técnico-administrativas em educação que encararam a sociedade para viver sua orientação sexual. O conhecimento do universo particular de cada uma permite compreender e aprender a partir de experiências vividas no cotidiano.

 

As mulheres lésbicas precisam ter voz para compartilhar suas experiências diante do preconceito devido à orientação sexual. Principalmente as mulheres negras e lésbicas por sofrerem discriminação mais opressora.

 

A FASUBRA Sindical acredita no respeito mútuo, independente da orientação sexual, principalmente no ambiente de trabalho. Garantir o direito cidadão de cada trabalhadora e trabalhador técnico-administrativo dentro das instituições federais de ensino é uma bandeira de luta da Federação.

 

História

A data instituída no primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (Senale) ocorrido em 29 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro, por ativistas do Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (Colerj), marcou o dia em defesa das mulheres lésbicas.

 

 

Izabel Cristina Firmino

 


 

Mulher, negra, lésbica, mãe, trabalhadora da  Universidade Federal Fluminense (UFF) lotada no Hospital Universitário Antônio Pedro, entrou para a Universidade em 1994.  “Mesmo não tendo vivido os melhores tempos na UFF, segundo meus colegas mais antigos, entrei com a esperança de viver as melhores experiências da minha vida. Estava com quase 30 anos e pensei ser o trabalho mais estável da minha vida. Naquela época eu  militava timidamente no movimento sindical mais ligado a área da saúde do Estado do Rio de Janeiro”.

 

Vida de luta

A primeira luta de Izabel junto com mais de duzentos colegas do mesmo concurso foi pela jornada de trabalho. “Embora tivéssemos assinado um contrato de 40h semanais, todo o restante da Universidade fazia 30h semanais e as chefias nos obrigava a cumprir as tais 40hs”. Após três meses de ingresso na UFF, convenceram o reitor pelo mesmo direito passando a cumprir 30hs.

 

Atualmente, Izabel integra a Comissão Paritária conquistada pela categoria na última Greve da Fasubra pela regulamentação das 30hs para todos na UFF. “Essa noção de que só coletivamente os trabalhadores conseguem mudanças em suas vidas eu sempre tive, mas com certeza na Universidade amadureci  e tenho lutado muito  mais. Ser mulher trabalhadora de HU na Universidade não é algo fácil”.

 

Preconceito

Segundo Izabel, o mundo para as mulheres é difícil. “Sofremos preconceito e assédio, somos objetificadas e desvalorizadas, com toda certeza temos os menores salários e as piores condições de trabalho, quando somos negras, a situação só piora. Se temos a ousadia de não aceitar o padrão de normalidade em nossos afetos, aí vem mais preconceito e pior a invisibilidade. Ser trabalhadora de Universidade em um país que não investe e ainda corta sistematicamente verbas da Educação, já mostra o cenário em que cumprimos nosso cotidiano. É sempre lutando muito e arduamente por nossos direitos”.

 

Divisor de águas

Somente há alguns anos Izabel questionou de fato sua sexualidade. “Os meus afetos, a minha liberdade de vivenciar sem barreiras o que é considerado fora dos padrões, mesmo dentro de um ambiente onde deveríamos ser estimulados a fazer amplo debate sobre qualquer tema. De uma união  heterossexual eu tive meu filho, minha obra prima, meu maior amor”.

 

Vida de militância

Aos 40 anos, Izabel viveu a primeira experiência lésbica. “Foi um divisor de águas em minha vida. Hoje, aos 53 anos me sinto plena em relação a minha sexualidade e afetos. A técnica transformou sua experiência em militância, fazendo questão de assumir a condição de lésbica publicamente. “Entendo que agir desta forma é militância, é naturalizar de verdade algo que há muito deveria ser considerado natural. Eu sinto que tenho essa responsabilidade para com todos LGBTs, porque as estatísticas que apontam preconceito, violência, discriminação, homofobia, lesbofobia, transfobia, bifobia, crime de ódio contra nós não é pequena, é algo assustador. E como trabalhadora da Educação é meu dever educar para a vida”.

 

Para Izabel, há uma necessidade de militar pelo feminismo, aprofundando no feminismo negro, movimento LGBT e Negro, “sabendo a necessidade de tocar cada luta tendo em vista o corte classista que trago da militância sindical e política”.

 

Convicção

“Sou socialista, e acredito que a mudança que necessitamos em todos os sentidos só pode vir através das mãos das trabalhadoras e trabalhadores. Somente a nossa Classe pode fazer a revolução social que o mundo necessita. E que as lutas das minorias, mulher, negros, lgbts não está descolada deste contexto de classes. Não somos oprimidas e oprimidos por sermos mulheres, negros, lgbts. Somos oprimidos porque precisam nos subjugar para nos explorar, e a discriminação, o preconceito, a intolerância são instrumentos que a burguesia se utiliza para nos subjugar enquanto classe”, defende Izabel.

De acordo com a técnica, na UFF iniciou a provocação do debate LGBT para além dos espaços da vanguarda, “queremos trazer nossa pauta para o debate dos trabalhadores, pois somos parte deles, e estender para a comunidade universitária e para além dela”.  Foi proposta a criação de um Grupo de Trabalho LGBT no espaço sindical para debater e defender o tema. “A nossa ideia se soma com a ação de outros companheiros de outras Universidades neste sentido, e pretendemos ampliar este debate na Fasubra”, finalizou Izabel.

 

 

Aline Avellar

 


 

Uma mulher lésbica, técnico-administrativa em educação (TAE-Jornalista), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Juiz de Fora-MG.

 

Para Aline, passados 21 anos do 1° Seminário Nacional de Lésbicas, ainda é fundamental conferir visibilidade às demandas e existências lésbicas. “É urgente combatermos a histórica discriminação às mulheres que se relacionam com mulheres e, neste sentido, a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) e os sindicatos da base podem e devem desempenhar um papel relevante”.

 

Defender direitos

As discriminações contra as lésbicas são muitas vezes materializadas em agressões físicas e verbais, ‘estupros corretivos’ (motivados por lesbofobia com a intenção de corrigir a orientação afetivo-sexual), assassinatos, etc. O Brasil é o país que mais mata LGBTTIs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos) no mundo, denuncia Aline.

“Defender os direitos das mulheres lésbicas é reivindicar a universalidade dos direitos humanos e, também, a aplicação dos direitos fundamentais que constam na Constituição Brasileira, dentre os quais o direito à vida, à liberdade, à igualdade e à segurança”, afirmou a técnica.

 

Nós existimos!

“Contribuir para que nós, mulheres lésbicas, deixemos a invisibilidade é um passo extremamente importante. Do mesmo modo, é fundamental que saibamos da situação de agravamento do desrespeito às mulheres lésbicas em virtude das ‘opressões cruzadas’, ou seja, quando as discriminações se potencializam umas às outras. Em outras palavras, não existe ‘a realidade da mulher lésbica’, mas existem ‘as realidades das mulheres lésbicas’, que variam conforme  classe social, raça, ser cisgênero ou transgênero, etc. As opressões cruzadas precisam ser consideradas para que as ações de combate à lesbofobia sejam eficazes”, reforça Aline.

 

Para Aline, é importante que a Fasubra invista no fortalecimento da Coordenação de Políticas Sociais e de Gênero e incentive a criação de grupos de trabalho (GTs) LGBTTI nos sindicatos da base, para o debate permanente desta temática. Desse modo, estaremos fortalecidas para reivindicar junto às Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) nas quais atuamos, especialmente, que:

 

1. Em seus Planos de Desenvolvimento Institucional (PDIs) conste o respeito às diversidades sexual e de gênero, de modo a assegurar o acesso e a permanência de lésbicas e demais LGBTTIs nas IFES;

2. Criação de políticas afirmativas que contemplem lésbicas e demais LGBTTIs;

3. Oferta de cursos de capacitação para trabalhadoras e trabalhadores que abordem o respeito às diversidades sexual e de gênero;

4. Programas de Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador  que NÃO sejam pautados pela heterossexualidade compulsória;

5. Ouvidorias especializadas que atuem no combate e resolução de casos de lesbofobia;

 

 

Natália Paganini

 


 

Mulher lésbica, servidora técnico-administrativa (Técnica em Assuntos Educacionais) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) há quase sete anos.

 

“Nós, mulheres lésbicas, constituímos um grupo fundamental para a existência democrática e de excelência das universidades, oportunizando, através de nossas diversas formas de viver e amar, a construção de instituições mais comprometidas com a formação humana e política de cidadãs e cidadãos”.

 

Segundo Natália, embora seja um grupo numeroso e de importância, enfrenta desafios de permanência e acesso nas universidades derivadas das opressões cruzadas como a misoginia e a lesbofobia.

 

A técnica acredita que a desigualdade de gênero e a discriminação por orientação sexual-afetiva afetam diretamente os índices de escolaridade, motivam negligência familiar, abandono, afastamento do núcleo familiar e perda de moradia. “O que leva muitas de nós à situação de rua, provocam e agravam quadros de adoecimento psicológico e psiquiátrico e nos tornam mais suscetíveis às violências físicas, sexual, moral, psicológica, material, patrimonial e institucional”.

 

Espaços de poder

Para a técnica, mulheres lésbicas passam por um processo de invisibilização nas universidades, cujas políticas institucionais ignoram e silenciam sua presença. “Somos minoria ou inexistentes nos cargos de chefia, direção e representação em órgãos colegiados.

 

Nos deparamos com entraves burocráticos para a garantia de direitos de familiares e demais dependentes. São desconsideradas nossas demandas específicas na formulação de projetos de desenvolvimento institucional, somos vítimas frequentes de assédio moral, sexual ou psicológico por parte de colegas ou de chefias”, lamenta Natália.

 

Movimento sindical

Para a técnica, ainda se soma a predominância de um movimento sindical machista, misógino e lesbofóbico, que exclui mulheres lésbicas do protagonismo dos discursos e dos processos políticos e de funções de coordenação das instâncias sindicais. “As entidades representativas acabam por reforçar estereótipos de gênero e sexualidade marcados pelo papel de subalternidade e fragilidade da mulher e pela heterossexualidade obrigatória, ratifica padrões estéticos dominantes e heteronormativos, faz uso de linguagem e símbolos sexistas e lesbofóbicos e desqualifica o debate político feito por e para as mulheres lésbicas da categoria”.  

 

(R)Existimos!

Por políticas institucionais e sindicais voltadas à promoção da educação continuada, saúde, lazer, cultura, formação política e sindical, melhoria do ambiente de trabalho e capacitação da mulher lésbica servidora técnico-administrativa! Pelo reconhecimento das diversas formas de constituição de nossas famílias e equiparação de nossos direitos!

 

Pelo fortalecimento coletivo de todas as trabalhadoras lésbicas, cis ou trans, em nossas universidades!

 

Assessoria de Comunicação FASUBRA Sindical